Espanha: Resgate europeu é questão de semanas
Numa altura em que já ninguém duvida de que o pedido de resgate de Espanha está para breve, multiplicam-se as especulações sobre o valor necessário para salvar a Banca do país vizinho. Ante a guerra de valores milionários díspares referidos por personalidades várias e por entidades como a agência de rating Standard & Poor’s (S&P), Bruxelas veio pôr água na fervura e dizer que as verbas "são disparatadas".
Um dia depois de circularem notícias sobre a preparação do resgate, o Partido Popular Europeu (PPE) fez saber que a Banca espanhola necessita de 80 mil milhões a 100 mil milhões de euros para se recapitalizar, valores muito próximos do estimado pela S&P, que sobe a fasquia para os 112 mil milhões.
Citando fontes europeias, o jornal económico britâ-nico ‘Financial Times’ falou de 80 mil milhões.
"Que as necessidades possam situar-se entre os 40 e os 80 mil milhões, como li hoje, parece-me irresponsável e disparatado", afirmou o porta-voz de assuntos económicos da Comissão Europeia, o espanhol Amadeu Altafaj, acrescentando: "Não é sério especular com verbas que têm uma margem de erro de 40 mil milhões de euros."
No entanto, 40 mil milhões de euros é justamente o valor de apoios calculado pelo FMI no seu relatório de avaliação do sistema financeiro espanhol, que será tornado público na segunda-feira. Esse mesmo valor tinha já sido referido há dias por Emilio Botín, presidente do Grupo Santander.
Recorde-se que as especulações sobre a dimensão do buraco financeiro da Banca espanhola surgem após notícias sobre as reservas da Alemanha em apoiar directamente os bancos. Esses debates não deixam dúvidas de que o resgate será pedido dentro de semanas, ou dias.
MERKEL ABERTA A EUROPA A DUAS VELOCIDADES
A chanceler alemã, Angela Merkel, abriu ontem a porta a uma Europa ‘a duas velocidades’, ao afirmar numa entrevista televisiva: "Não podemos ficar imobilizados só porque um ou outro país não quer avançar."
Merkel defendeu a cedência de mais soberania em favor das instituições europeias para reforçar a união política: "Passo a passo, temos a partir de agora de conceder mais competências à Europa, permitindo-lhe que tenha mais poderes e controlo." Tudo em nome de "uma união política" mais efectiva.
Esta ideia esbarra com objecções de Londres e de Paris, o que levou a chanceler a insinuar que uma ‘cisão’ europeia pode ser a solução para as resistências dos que "não querem avançar".